Aprendizado da vida

Realizar um viver, é sempre um aprendizado contínuo. Entendo que se nos colocarmos em comunhão, o mais consciente possível, até onde nos seja possível, frente a nossa enorme e profunda ação mental inconsciente, sempre aprenderemos algo, isto porque nossa mente emerge de um circuito neural que é plástico por natureza, sendo assim dinâmico, físico e funcionalmente, e desta forma possibilita constantes e contínuos redesenho neste mesmo circuito. Mas este aprendizado, jamais, nunca pode ser, segundo minha leitura da realidade que se pode viver, ser confundido como um caminho para a perfeição, ou uma jornada para nos tornar sábios, no seu sentido mais amplo possível. É verdade que podemos adquirir alguma sabedoria, conhecimento aderente a comportamento, sentimento, compromisso, e por aí vai, mas sempre será uma sabedoria local, limitada, distorcida, impregnada de algum ou alguns preconceitos, sempre será uma aproximação de um saber hipotético total, com relação maior a umas áreas, e menor em outras áreas de algum saber, sejam elas áreas humanas, sociais, naturais, históricas, sejam referente a relacionamentos conosco mesmo ou com a sociedade ou com a “mãe” natureza, sejam elas emocionais, sentimentais, racionais, críticas, amorosas ou curiosas. 

O nosso aprendizado pessoal do viver, nunca nos levará a um estado de saber plenamente o viver, pois que a realidade existencial, pois que a realidade do viver, pois que a realidade de todo o complexo natural que nos envolve e que nos possibilitou dele emergir, sendo parte plena dele, é muito dinâmico, é caótico, e nenhum aprendizado, nenhuma sabedoria será suficiente para tudo sabermos sobre ele, ou como nos relacionarmos completamente com ele, mas podemos acumular aprendizados que nos ajudem, pontualmente aqui e ali, globalmente em escala de valores mais diluídos, a encarar a realidade que pode hoje ser mansa, alegre e feliz, mas que pode imediatamente depois tornar-se dura, dolorosa, sofrida, que pode ao mesmo tempo nos levar a situações tão complexas como termos experiências felizes em uma realização dolorosa, ou o contrário termos experiências sofridas em uma realização mais cordial e feliz. Estaria eu dizendo que não vale a pena buscar aprender o que for possível? Nunca, jamais. O conhecimento, as emoções, o sentimento, as intenções, os pensamentos, são para mim aquilo que realmente é nosso, que podemos levar para onde formos, que nos faz de alguma forma ser um pouco do que somos, mesmo sabendo que somos muito mais inconscientes do que gostaríamos de admitir. 


Não sou daqueles que acham que é necessário sofrer para aprender, não sou masoquista a este ponto, acho que podemos aprender sempre, e que o sofrimento é um aprendizado, mas não o único, e nem o melhor. É o nosso estado mental, psíquico, e emocional, aquilo que nos pode ajudar a aprender, a “crescer” como humanos, mesmo que este crescimento não seja garantia de que estamos no caminho certo, pois que é necessário um contínuo estado crítico, racional (até onde possamos nos utilizar dele), um estado sincero e honesto, um estado de observação constante, mesmo em pleno exercício de nossa curiosidade, para que possamos analisar criticamente cada momento, cada sentimento, cada emoção, cada evidência, cada aprendizado, se ele pode ser realmente algo natural, algo que liberta, algo que nos iguala nos mantendo diferentes, algo que não padroniza mas que socializa, algo que não ofenda o direito responsável de liberdade de quem quer que seja, algo que nos nivela socialmente, sem nos nivelar ou limitar humanamente ou racionalmente. Sim devemos estar preparados e abertos a aprendermos continuamente, mas devemos estar atentos para criticar cada novo aprendizado, cada estado emocional que nos conecta ao novo aprendizado, para não deixarmos de lado nossa sensibilidade humana. Somos seres sociais, mas não podemos esquecer que somos seres naturais, seres humanos, e seres limitados e cheio de falhas, mesmo, e principalmente, em nosso órgão mais complexo e poderoso, talvez o mais complexo “objeto” que a natureza possibilitou existir, o nosso cérebro, e assim nossa mente que dele emerge, nossos eus, nossos seres, nunca serão plenos ou perfeitos.




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Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador

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