Certezas podem ser enganos, a verdade e a pura realidade podem estar onde não gostaríamos que estivesse

Algumas, as vezes até muitas, de nossas maiores certezas, podem estar ou se mostrar nossos maiores erros, nossos maiores enganos, simplesmente porque depositamos crenças em condições totalmente adversas, sem evidências, sem coerência com a realidade, sem aderência com conhecimentos minimamente coerentes e aceitáveis. Todos, dos mais cultos aos mais ignorantes, mesmos aqueles que se acham acima da média intelectualmente, estamos sujeitos a enganações e enganos diversos, simplesmente porque por um lado nos falta liberdade e treinamento para livre e profundamente pensar, analisar, racionalizar (até onde seja possível a racionalidade) e criticar, por outro lado porque nos interessa acreditar naquilo, outras e muitas vezes, por indução, ancoragem e doutrinações. No fundo, muitos têm medo de descobrir que investiram muito tempo e esforço em crenças no mínimo falhas, muitas vezes totalmente erradas. Exatamente por isto, manter sempre uma certa abertura ao ceticismo é muito bom, ter como certeza que podemos (não que necessariamente estamos) errados, fugir de certezas absurdas, desfocadas, descoladas do possível, sem evidências minimamente claras, é sempre um bom estado mental de ser e de estar. Autoridades do saber, revelações, intuições, ou afins, devem ser tremendamente evitados, ou melhor, ouvidos e sentidos, se for o caso, para servir tão somente de contraponto ao nosso pensamento crítico, e nos provocar a melhor e mais profundamente pensar, a mais fortemente buscar fontes, e finalmente a nos fazer pensar e pensar. A pseudociência, muito facilmente utilizada por charlatões ou ignorantes, é algo que se deve aprender a descobrir, e o mais fácil é se perguntar e buscar, qual o método utilizado para aquele saber, quais passos do método científico foram utilizados (se algum foi) e qual ou quais foram desprezados ou apenas simulados. Não sou daqueles, e refuto a argumentação advinda de filósofos de peso, de que nada sabemos, é mentira, sabemos muitas coisas, podemos não saber em máxima profundidade, podemos desconhecer o todo do subsolo das engrenagens reais que movimentam o real mundo dos fenômenos, mas achar que nada sabemos é uma argumentação que pode ser bonita, mas tão falha quanto afirmar que temos certezas absolutas e completas de tudo. Certezas descoladas de mínimas provas, de coerência racional, de aderência a conhecimentos estabelecidos, são uma grande furada, mas encantam a muitos, e muitos ganham e se enriquecem com isto, e de novo, cuidado máximo, todos, exatamente todos, estamos abertos a sermos enganados, a sermos iludidos, a cairmos em contos do vigário, a sermos puxados de roldão por modismos e por verdades estabelecidas pelo tempo ou por justificativas morais, ou mesmo por simples ancoragem mental. Lembremo-nos sempre, não é porque a maioria acredita em algo, ou porque a muito tempo se acredita em algo, ou porque parece moralmente correto que assim o fosse, ou porque seria muito bom se assim o fosse, ou finalmente porque eu gostaria que assim o fosse, que qualquer coisa é em verdade, uma verdade. Certezas podem ser enganos, a verdade e a pura realidade podem estar onde não gostaríamos que estivesse ou onde menos nos interessaria que ela estivesse, ou ainda, onde ela menos pareceria estar... É tão enganosa a certeza que tudo sabemos como a certeza de que nada sabemos...




#ateu
#ateuracional
#livrepensar
#ateuracionalelivrepensar
ateu
ateu racional ateuracional
livre pensar   livre pensador   livre pensadores

Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Livre arbítrio

O que somos?

O sábio é um egoísta que deu certo

Olhar-se e perceber-se