Humildade, um ato de ser

Humildade, como eu gostaria de realmente construí-la em mim. Como gostaria que meus textos ou comentários, meus comportamentos e pensamentos, refletissem abertamente um muito desta humildade.

Humildade não é curvar-se perante os outros, é ser um com os outros, é ser elo de compromisso, de união e de respeito para, e com os outros. Não é e nem pode ser inferioridade, submissão ou modéstia submissa, a humildade não é ser pequeno, pelo contrário é ser grande, ou contraditoriamente (apesar de ainda discutir comigo mesmo este item) se fazer pequeno sem perder a grandeza da humanidade que nos faz humanos, para se necessário for, carregarmos nossos irmãos em espécie nos ombros. É ser igual sem perder a identidade, é ser sensível sem perder a força, é ser amor sem cair em fraquezas, é ser racional ser se perder na possível frieza de uma razão desumanizada, é ser, buscar e praticar, um amor racional, ou uma razão amorosa. O humilde não se arrasta, ou quando se arrasta é para acompanhar e ajudar a alguém, não busca troca, não se submete a interesses, quaisquer que sejam eles. O humilde olha nos olhos, olha na mente, olha e sente como irmão, como igual, sendo sempre diferente e único. O humilde não anda necessariamente atrás, do lado, na frente ou embaixo de alguém, ele anda livre e liberto, mas consciente de que andar com alguém implica na necessidade do que este alguém realmente precise, pode andar na frente para puxá-lo, ou para protege-lo, abrindo caminho se necessário for, anda atrás para empurrá-lo ou para deixar que o outro brilhe seu próprio brilho, sem aparecer como parte daquele brilho, anda do lado para apoiá-lo, para conversar com ele, para ser um, igual com ele, anda embaixo, para carregá-lo, não para sempre, mas enquanto necessário for, para protege-lo e para possibilitar algum descanso a aquele ser sofrido, muitas vezes por outros irmãos em espécie. Humildade não é deixar de ser quem você é, é fazer bom uso do que você é, é possibilitar uma comunhão do que você é com o que o outro seja, mas nunca se perdendo, buscando algum estado simbiótico de ser, e um resultado final onde a soma natural dos seres envolvidos seja maior que a simples soma algébrica do que cada um em si seja.

Para este que se compromete em buscar aprender sempre, acredito eu que a humildade não é algo natural, pré-instalado em nosso circuito neural, para mim, a humildade estaria numa classe junto com o amor, a genética em si apenas promove uma estrutura neural que possibilita o amor e a humildade, mas tanto aquele (que deve englobar boas doses deste), como este, precisam ser construídos, reconstruídos, e muitas vezes ter parte de si desconstruída para poder ser, viver e realizar...

A humildade é simples, mas não simplista, espera, mas não se alinha com esperança alguma, se doa, mas não se entrega, continua sendo ela, a humildade, nele, no ser que a busca construir cada vez mais plenamente. O humilde tem clara percepção de que é um ser limitado biológica, mental e materialmente, mas e daí? Todos somos limitados, o humilde faz de seus limites não um obstáculo ou falsa defesa, e sim faz de seus limites naturais ou sociais, a certeza de que cada irmão também os têm, e por isso mesmo se sensibiliza com os limites dos outros, sejam ou estejam eles além ou aquém dos seus limites. O humilde tem alguma consciência de que é um ser falho, e por isto se sensibiliza com as falhas dos outros, pois que sabe que ele também as pode cometer.  O humilde busca aceitar e compreender, não necessariamente compactua ou reforça.


Sinceramente, nunca pensei que discorrer sobre humildade fosse algo complexo, mas talvez, corroborando a minha visão de que a humildade é de mesma classe e espécie do amor, é mais fácil tentar e fazer por onde construí-los, do que discorrer sobre eles.

Que a soberba, esta sim, seja desconstruída, destruída, abandonada, minimizada ao máximo possível, em cada um de nós, por cada um de nós.


Texto inicialmente publicado diretamente nas redes sociais




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Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador

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