Humildade, uma busca, uma análise

Tenho pensado muito sobre a humildade, seu escopo, sua abrangência, sua essência e sua realidade. Cognitivamente a percebo como algo que me encanta, mas e no mundo real? E em meu mundo mental? 

Consigo realmente ser humilde? Sou humilde? Sei o que seja realmente ser humilde? Me vejo humilde? Realizo realmente a humildade, descolada de qualquer motivo que não seja o da sua própria realização? Sou realmente humilde, ou apenas “bonzinho”? Sou realmente humilde, ou ajo por pena? 

Nestes últimos dias já escrevi dois textos acerca da humildade, e em verdade não percebo que tenha conseguido falar o que realmente sinto, ou o que realmente seja e move a humildade. A simples extirpação ou sublimação da soberba? Sinceramente creio que não. Vou me utilizar de um termo, de alguém que muito respeito “Karl Raimund Popper vulgo Karl Popper”, não é fácil “demarcar” até onde posso, devo, e preciso, sublimar “coisas” em nome da humildade, e desta “demarcação” perceber a partir de onde o comportamento humilde permite e passa a servir de plataforma para abuso, maltrato, ou mesmo arrogância dos outros, que a confundem com fraqueza ou mesmo com medo. 

Cada caso é um caso, cada momento é um momento, cada situação é uma situação, entretanto, sem jogar fora alguma construção conseguida deste estado humilde de ser, estar, sentir e pensar a humildade, não dá para suportar, sem revolta, alguns comportamentos desumanos. Há de se ter firmeza, posição, força, e atitudes ousadas, perante alguns comportamentos inumanos, alguns ultrapassando a barreira do sadismo. Há de se exigir respeito, direitos, liberdades, sempre que necessário, mas há de se manter também um estado mental humilde, mesmo em processos de revolta, em estados de crítica, em posições de cobrança, de luta e de exigência, e nestes casos a humildade não pode ser confundida com omissão, fraqueza alguma ou medo. Ninguém é perfeito, ao mesmo tempo que ninguém é imagem fiel de bondade máxima. Para mim é impossível manter-se um estado absolutamente pleno de humildade, frente a um estuprador, frente a um machista agressivo, frente a um fascista extremista (talvez seja redundante), frente a aqueles que abusam ou exploram a boa-fé, a ignorância ou a ingenuidade de qualquer outro, ou mesmo frente a quem maltrata animais, e frente a corruptos descarados. Não dá, pelo menos em mim, para sublimar a revolta, e mais especificamente, não quero sublimar revolta alguma nestes casos, ou em outros onde entenda ser desumanos aqueles atos, como frente a exploradores, chantagistas, escravizadores, e etc.


Falar da humildade não é fácil, ou melhor falar abobrinhas da humildade é fácil, porem falar com propriedade e domino de causa, não é nada fácil, talvez por minha ignorância, mas sinceramente creio por sua abrangência multidisciplinar, sua condição multifacetada de ser e de se envolver, e sua característica poli dimensional. As vezes somos humildes com uns e não o somos com outros, as vezes somos humildes em algumas situações e não em outras, as vezes somos humildes em alguns momentos e não em outros. Mas como me incomoda ver pessoas que se acham humildes, que ignorante e sinceramente (para elas) acreditam serem humildes, mas a humildade muitas vezes passa longe delas. E eu? Serei um destes? Serei artista? Um falso? Será que tenho uma leitura equivocada de mim, ou equivocada do que seja ser humilde? Será que realmente a tento construir em mim, ou apenas advogo sua importância, cognitivamente, mas não a entendo ou não me esforço e empenho em construí-la? Exatamente por isto tenho gasto tempo me questionando e me criticando quanto a humildade e quanto ao que sou ou posso ser. Não sei o resultado final, não sei sequer se ele existirá, mas não posso ter medo de busca-lo. Por favor, este é um processo meu, comigo, não estou analisando ninguém especificamente, se horas observo as pessoas, neste caso, é apenas para ver como que em espelhos, o que eu posso ser ou fazer, de bom e de mal, pois que nosso circuito cerebral, apesar de único, possui uma estrutura geral semelhante.




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Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador

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