Minha história de vida me fez conhecer pessoas e obras que me ajudaram a ser quem hoje sou

Meu último elo com uma religião, foi o de ter sido espiritualista. Eu o fui por um longo período, e não me envergonho disto, pois faz parte da formação do que sou. Em especial, conheci pessoas que somaram em minha formação humana, e o que mais me encantava na obra, naquela obra, não era a religião em si, mas sim o maior valor que era dado as causas humanas e sociais, em detrimento de todo e qualquer possível dogma religioso. Para começar éramos diferenciados, até porque, não seguíamos Kardec, não aceitávamos reencarnação, destino e muito menos carma tradicional. Cabe ainda comentar que todas as pessoas que ajudávamos não frequentavam e nem eram aliciadas para frequentar o lado religioso da casa, isso era fantástico (tínhamos banco de leite materno, dispensa para terceira idade, berçário, maternal, pré-escola, além de campanhas anuais da mãe pobre, cobertor de inverno, e de natal para 800 pessoas). Porque escrevo isto? Não, por favor não botem em dúvida meu ateísmo, meu materialismo filosófico, meu naturalismo, meu realismo, e minhas boas pinceladas de ceticismo e humanismo. Simplesmente sou totalmente imanente, descartando pura e simplesmente todo e qualquer transcendentalismo místico ou religioso, e em especial rejeito toda e qualquer religião formal como mais perniciosa do que benéfica, aceitando plenamente a religiosidade de cada um como algo natural, desde que independente de toda e qualquer religião. Mas escrevo como forma de lembrança e gratidão pelo que de humano e social que por lá aprendi. Vou transcrever abaixo alguns trechos de discursos de José Bernardo da Silva, que foi o fundador da obra (de cunho social-religioso) que por mais tempo frequentei. Lembrem-se por favor de dar valor ao lado humano das palavras abaixo, e saibam bem claramente que todo lado religioso não me soma mais nada, mas tenho gratidão pelo que lá aprendi e pelas pessoas que lá conheci.

“A minha linha de conduta na religião tem sido não rezar, mas fazer algo por quem é vivo, por quem tem fome e precisa comer, por quem está doente e precisa tratar, por quem está nu e precisa vestir. Esta tem sido a minha obra religiosa.
Dou muito mais valor ao ser humano do que a este centro de pedra. É muito bonito, mas o valor que ele possui é a obra de assistência social que aqui se faz beneficiando quem é vivo.

Uma casa de pedra não pensa...
Uma casa de pedra não anda...
Não veste, não calça, não tem necessidades de remédios.
Uma casa de pedra é uma coisa morta.

A vida que existe nesta casa, são os seres vivos que imprimem nela. E se nós não tivermos algo aqui dentro que possa dar uma demonstração de nossa fé pelas obras, então vamos deixar de ser religiosos. Porque eu julgo uma verdadeira fantasia de imaginação exaltada, ligar-se mais importância às rezas do que ao ser humano que constantemente nos visita...
José Bernardo da Silva
Trecho do discurso em 17 de agosto de 1958”

Gostaria de acrescentar outro texto, que pode parecer estranho, vindo de um ateu, mas que de novo, não mais representa nada de religioso para mim, mas que em muitas assertivas me ajudou a ser o amante da vida, do humano e do social que hoje me faz ser quem sou. De novo, vou transcrever completo, mas deem destaque ao que de humano fica perpassado pelo texto.


“Segundo nossa linha de conduta na religião
Ser espiritualista, é não tolerar a mentira, não se escravizar aos dogmas, não aceitar imposições quaisquer em matéria de religião.
Ser espiritualista não é ser diplomado por esta ou aquela escola de homens, mas sim, ser amigo da verdade e da justiça, sabendo colocar deus no seu lugar, fazendo sentir aos homens toda a sua infinita e mais que perfeita justiça, bondade, perfeição e sabedoria.
Mentir, iludir, alimentar sofismas, disseminar lendas, negar as maldades humanas para viver feliz e desfrutar os proventos não é ser verdadeiro nem justo.
O espiritualista não é o que sonda fenômenos
O espiritualista não é o que se mediuniza para receitar, dar passe, rezar, etc.
O espiritualista não é o que tem passos lentos, olhos sonhadores, gestos estudados, palavras adocicadas, ares de besta
Ser espiritualista é ser reformador de costumes e maus hábitos
Ser espiritualista é ser reformador de costumes e destruidor de lendas, ídolos e dogmas, extirpador de mitos
Ser espiritualista é ser desbravador de consciências
Ser espiritualista é ser perno do bem
O espiritualista não se prende por agrados
O espiritualista não negocia sua fé
O espiritualista não fere crenças alheias por desfastio
O espiritualista não tem justiça parcial
O espiritualista não é comodista, nem preguiçoso no seu ideal – trabalha sempre e não para, não recua, nem se põe a retaguarda dos demais ideais esperando vê-los avançar para imitar seus propagadores – é vanguardeiro – caminha sempre à frente e decididamente.
É revolucionário da verdade, paladino da justiça, missionário do amor, e manso de coração.
...
Autor José Bernardo da Silva”

Se você leu até aqui, pode estar em dúvidas quanto ao porque escrevi isto. Volto a dizer que faz parte de minha história real de vida e tenho gratidão pelo que de alguma forma lá aprendi e pelas pessoas que lá conheci. Mas tenham todos a certeza que exatamente pelo máximo valor à verdade, pelo nenhum valor a dogmas e rituais, que eu caminhei e hoje sou quem sou, ateu por decorrência natural.




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Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador.

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