No início era a simplicidade!

Será mesmo? Não será apenas, desta forma, uma generalização induzida por uma experiência de nossas vidas regulares? Será que esta extrapolação, como verdade, para todo o universo, para todo o mundo natural, não será um erro? Será que para o todo, esta simples generalização, não esconde, na verdade, nosso desconhecimento, e por detrás dela, da aparência de simplicidade, na verdade não existe uma complexidade de outro nível, de outro tipo, de outro escopo, de outra grandeza? Será que não estamos maquiando como simples, nos levando a arrogantemente afirmar como simplicidade, o que em verdade desconhecemos? 

Por favor, não me interpretem erradamente, não estou afirmando nada, apenas provocando a mim e a quem lê. Pode ser que todo início seja mais simples, pode ser que alguns inicios sejam mais simples. Apenas estou tentando pensar, até onde, todo e qualquer início, seja mais simples, ou que em alguns deles exista em verdade mais complexidade. Pode ser que em pelo menos alguns inícios, exista em verdade, complexidade tal que desconhecemos, que não conseguimos por isto sequer percebê-la, e que desta forma, aceitar passivo aquela assertiva como verdade plena e absoluta, seja nos deixar cair na tentação de se deixar levar, por indução, o que nos parece ser prática e coisa comum.

Alguns inícios decorrem de transformações, do que costumo definir como mudanças de fase, transições de fase, e levam a um início, decorrente de forte complexidade inicial, ou pelo menos “pré-inicial”. Um novo status político, econômico e social, pode ter início em uma revolução que ocorreu exatamente, talvez, por um estado de complexidade social tal, que acabou dando início a revolução. Pode ser que o novo status social inicie sob tamanha complexidade e que somente depois vá se ajustando e acalmando. A situação da agua em seu estado de vapor, pode e deve ter tido origem em um estado de complexidade cinética da agua em seu estado liquido, que possibilitou assim a “liberação” da molécula de agua sob a forma de vapor. Escolhi estes dois exemplos, para de forma simplista, mas abrangente, tentar mostrar, não necessariamente justificar como absoluta, o início de uma nova “era”, “situação” ou condição, como resultado de uma complexa situação anterior e não menos complexo processo de transformação de fase, de transição de fase: do líquido para o gasoso, da situação social anterior para a nova, e assim por diante. Situações análogas a estas existem aos montes na natureza, e podem até ter dado origem ao nosso atual universo, e já pode inclusive ter sido dado início a mais uma transição de fase em nosso universo, onde a abrupta aceleração de sua expansão pode ser um de seus indícios, podendo na verdade ser um de seus estados transitórios.

Bem, se você chegou até aqui, me vejo, a bem da verdade, na obrigação de ter que fazer dois esclarecimentos: posso eu mesmo ter ajudado a induzir você. 
O primeiro é que a assertiva “No início era a simplicidade.” Eu retirei de Richard Dawkins “O gene egoísta”. Ele fez uso dela como forma de causar impacto nos leitores, baseado em uma montagem semelhante, mas de origem religiosa. No escopo utilizado por Dawkins, a frase parece ser correta, pois que ele a usa para a evolução de seres replicantes, e do genoma. No início, ambos, os seres vivos replicantes iniciais, e o genoma (ou algo qualquer que veio a dar origem ao genoma), eram realmente mais simples do que os atuais, onde a vida alcançou uma complexidade grande, e o genoma acompanhou esta elevação da complexidade em sua estrutura e composição.
A segunda situação que me vejo obrigado, pelo respeito e a bem da verdade, é comentar que posso ter eu levado por indução, você meu amigo leitor, a confundir o processo que deu origem ao início de algo, com o seu próprio início, aqueles momentos iniciais deste novo algo. Em alinhamento a defesa de que talvez todo início seja mais simples, poderia evocar a própria termodinâmica, tentando dar valor de verdade a assertiva, porque a entropia sempre tende a crescer, mas vou me ater aqui a tentar identificar com você que processos de transição de fase podem ser geradores de mudanças, e o são, mas a bem da clareza, é um processo que leva algo a se transformar em algo novo, mas ainda não é o algo novo em si, e que somente quando surge o algo novo, o algo diferente, é que tem início este algo novo e diferente. Posso assim ter induzido a confusão do motivo gerador, com o próprio processo transformador (o processo natural histórico que levou a algo novo), e com o início natural do algo novo.

E então, no início era ou não a simplicidade?




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Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador.

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