Um pouco de mim 1 - Coletânea de microtextos publicados inicialmente nas redes

Não sou bicho do mato (pelo menos ainda não), sou bicho da cidade, mas passada a juventude, cada dia que passa, mais queria ser bicho do campo, da mata, da floresta, simplesmente porque naturalmente sou animal, buscando construir mentalmente, alguma humanidade, que só é possível porque também natural, plenamente suportado e sustentado pelo animal que sou e que somos. Ser humano não é em si melhor que ser animal pois que ninguém é humano sem ser animal, e é a humanidade aquilo que nos distinguiria dos demais primos animais, mas nunca melhor por isso.

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Não gostaria de ser mal interpretado, e assim de antemão me desculpo se não conseguir falar o que desejo. Sou homem, e nunca vou sentir em primeira pessoa a realidade do ser e do viver sendo mulher. Meu desejo neste texto é apenas o de dizer que vocês são importantes, são seres humanos, e que devem ter o cuidado de não caírem nas facilidades “neo”liberais de parecendo libertas, serem de novo joguete nas mãos capitalistas dos homens e da sociedade. Mulheres que o homem e a própria sociedade sempre tentaram consumir, tentaram doutrinar, tentaram diminuir, de um jeito ou de outro, sexualmente, maritalmente, familiarmente, e “empregaticiamente”, mulheres que lutando por direitos, igualdades, e respeito, não sejam por um lado sufocadas em machismos diretos ou disfarçados, mas que por outro lado, que vocês não escorreguem nas lábias liberais e de novo sejam exatamente como homens e sociedade as desejam, fontes de consumo, agora apenas com a erige de liberdade, falsa liberdade, pois que podem vocês apenas estarem trocando seis por meia dúzia. De minha parte, contem comigo, mesmo tendo a certeza que não tenho real competência para falar das lutas, das dores e felicidades, dos sonhos, direitos e liberdades de vocês. Na dúvida, pensem por vocês mesmas, reflitam, critiquem, e pensem quantas vezes vontade tiverem, e não se deixem levar por ecos forjados segundo possíveis interesses, de novo, masculinos, da sociedade machista, e do capitalismo, que deseja consumo e consumidores... e mulheres consumíveis.
Liberdade sim, claro, sempre, mas que no mote desta liberdade, que ela seja plenamente responsável, justa e comprometida, que não sejam vocês, de novo, traídas e retornem mais "libertas" apenas como mais consumíveis e descartáveis.

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Falhei, tenho certeza disto, mas pelo menos tentei, e que desta falha eu tenha conseguido tirar algum aprendizado, já valeu a falha. Sofro por ela, sim, e as vezes me odeio por isso, até que me lembro que aprender já é tirar algum proveito das falhas, e que ousei tentar...

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Quando jovem, ou inseguro, eu costumava olhar as pessoas que me conheciam, e me perguntava "Será que gostam de mim?" "Será que me aceitam?". Hoje, com todo respeito e carinho, com todo compromisso que tenho pelo viver de todos, eu não mais me preocupo se gostam ou não de mim, minha preocupação é "Será que gosto deles?" "Será que realmente estou sendo o melhor que posso?" "Será que consigo desconstruir erros que possa ter praticado ou acertos que possa ter deixado de praticar?" ....

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Não abra mão de seu pensamento crítico, de sua liberdade sincera e honesta de pensar, mas por favor, não afogue, sufoque ou deprecie seus pensamentos de gratidão, de sensibilidade, de humanidade, enfim de amor...

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Não sou exigente com a beleza física ou corporal. Não, não sou hipócrita de ficar bradando falácias de que a beleza não seja algo agradável e que de alguma forma não chama a nossa atenção. Eu apenas me conscientizei (até onde nossa curta e breve consciência seja possível em uma existência bastante inconsciente) que a beleza não está no objeto, corpo ou mesmo na ideia percebida, e sim em nós mesmos, que valorizamos como belo aquelas características, aquelas qualidades, aqueles conceitos. Mas a beleza física, imediata ou superficial, não obstante sua atração, até mesmo sua tentação, é o que é, apenas um invólucro, apenas algo que encanta e muitas vezes seduz, mas que o que deve interessar profunda e realmente não é a estampa, a apresentação, não é a capa que faz um bom livro, mas sim o seu conteúdo, aquilo que vem junto e que muitas vezes passa desapercebido aos nossos olhos mentais imediatos. Então a beleza funciona como um chamariz, exatamente como a capa de um livro que pode por si só nos fazer ter a vontade de pegá-lo em nossas mãos, mas é o texto, a realidade imanente por trás da beleza, eu diria melhor, que de alguma forma acaba também por dar alguma sustentação aquela beleza, o que realmente deve ser percebido. Por favor não estou fazendo crítica a beleza, ou comentando que o belo seja ruim, não, nunca faria isto, até mesmo porque, percebida a consistência natural, a beleza interior, os qualias que surgem de cada coisa, e a adequação destes qualias ao que valorizamos, ideia ou ser, acabamos naturalmente por ver beleza naquilo, e de novo, surge o belo, agora mais forte, ou melhor, dando força e sustentação a beleza aparente que poderia ou não ter.

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Como a ciência é apenas conhecimento, ela é sempre parte integrante, e não apenas parte figurante, de toda e qualquer estrutura social, bem como de sua criação cognitiva, de sua busca por entendimento, e de sua produção, mesmo que nem se saiba que é ciência, apesar dos que se esforçam intencionalmente com falsas ciências (que na verdade são falsos conheceres e falsas verdades), e com falácias que podem até soar bem aos ouvidos, parecerem agradáveis ao que gostaríamos que fossem, mas que na verdade distorcem e falseiam a busca de algum verdadeiro conhecimento, que nada mais é do que ciência.

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O que dizer a alguém que afirma que eu não sou mais a mesma pessoa que eu era? Só posso dizer que ele ou ela estão certos. Nem eu, nem ele(a), e nem ninguém é o mesmo que já foi, nosso cérebro possui a maravilhosa característica de plasticidade, e ao dormir já somos algo diferente do quando acordamos, novas ligações são feitas, algumas desfeitas, algumas reforçadas, outras enfraquecidas, é característica natural de nosso circuito neural. A questão não pode ser a de que sejamos diferentes, sempre o seremos. 

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Pessoas especiais (do bem) não brilham, irradiam humanidade.

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Quem cultiva o brilho pessoal, mesmo que de bom coração, ainda tem muito a caminhar e a entender. Se o brilho está focado na pessoa, algo está errado, o que tem de brilhar é o seu comportamento, são suas obras, sua relação com o natural, com o humano e com o social, suas ideias, sua forma de mediar a realidade, sua ousadia de tentar sempre. A natureza, a vida e o coletivo devem prevalecer sobre a pessoa individualmente, não obstante cada um em si ser importante pelo bem que pratica. A pessoa é apenas um elo, um agente de ação e de mudanças, um ente que faz, ou que deveria fazer a diferença, não necessariamente ser diferente. Longe de me achar dono de verdade alguma, mas é o como penso e o que sinto.

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Do físico e pensador brasileiro, Cesar Lattes, vou pedir emprestado uma de suas assertivas, "O cientista não deve ceder aos encantos de ser aceito pelo establishment. Cesar Lattes", e ousar me aproveitar dela para alargar o seu enfoque para livres pensadores, críticos, curiosos, céticos, alguém que tenta ser amante da racionalidade e da análise crítica, entre outros, passando assim a:
O cientista, o livre pensador, o crítico, o curioso, o cético, ou qualquer um que tente ser amante da racionalidade e da análise crítica, não deve ceder aos encantos de ser aceito pelo establishment.

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Ser normal talvez não seja o meu forte. Sou alguém que não se satisfaz sem a busca por algum conhecimento natural, talvez seja amante da curiosidade e das dúvidas, não para me perder ou parecer ser do contra, mas para tentar me encontrar entre tantas mentiras e tantas imposições. Ser normal talvez não seja o meu forte, tento ser real, tento ser natural, tento ser social, tento ser desconstrutor de tudo antes de começar a pensar que aquilo possa ser verdadeiro, tento ser um livre pensador, tendo ser destruidor de dogmas e de falsas autoridades do saber, tento manter minha curiosidade infantil, tento enfim ser um ente próprio, um ente crítico, nunca melhor que ninguém, mas também nunca pior que qualquer um, não tenho acordo nenhum com erros, enganos ou falhas, por isso estou sempre aberto a mudar de opinião, desde que justificada por evidências, provas ou refutações, tento ser honesto, sincero com meu comportamento e com a busca por alguma verdade, cada vez mais profunda. A superficialidade dos fenômenos não me encanta, nem por isso não a aprecio, mas não mais me basta...

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Tendo a ser uma pessoa grata, sinto necessidade de agradecer o que de bom me acontece. Mas vivo um impasse, um impasse interessante, mas positivo. Agradecer a quem se apenas o natural existe? Que bom. Agradeço horas a própria essência da vida, outras horas a natureza, e outras horas apenas agradeço, simplesmente obrigado, a ninguém ou a nada, e me sinto bem com isso, torno-me grato sem nenhum tipo de troca, de esperança ou intenção, a não ser o de apenas realizar meu desejo de gratidão.

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Quando a pessoa é do bem, até sua sombra é bem-vinda.

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Você não mudará em si, ou ajudará a mudar nos outros ou na sociedade aquilo que você não confronta, aquilo que você evita se expor, aquilo em que você não se revolta...

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Na vida importa tanto para onde vamos, como com quem vamos e como vamos, mas importa muito também a intenção do porquê ir... É claro que podemos ficar parados, para descansar, recuperar forças, pensar, ou como parte de uma estratégia maior de esperar o momento exato para irmos...

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Se você tem medo, que bom, você é uma pessoa normal, todos temos, já tivemos, ou teremos, algum medo. O medo evoluiu como algo que nos ajudou a sobreviver, ele não pode ser visto como algo prejudicial, ele serve para nos manter alertas, para nos colocar em situação de defesa, o que não pode acontecer é de paralisarmos pelo medo. Caminhar é preciso, respire fundo, pense, analise, e ponha-se a caminhar, mesmo que com medo, nós podemos, nós conseguimos, nós somos mais fortes que o medo que deve existir para nos ajudar e não para nos destruir...

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Não siga seu destino, não perca tempo acreditando que ele exista, ele simplesmente não existe. A realidade presente é complexa, mas parte dela depende de você, de seu esforço, de sua transpiração, de seu foco, de sua intenção, de sua vontade de fazer acontecer, mas nunca se culpe, ou culpe o destino, se mesmo assim você não chegar lá, ou não conseguir fazer acontecer, o caos é muito maior do que gostaríamos de admitir e não possuímos um timão forte o suficiente para superar ou contornar todo o caos que nos envolve, sem que o percebamos...

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Tudo aquilo que consome sua mente, seu pensar, que te impregna o pensamento, acaba por afetar (para o bem ou para o mal) sua forma de viver, a realização de seu ente pessoal, e a sua relação com a existência.




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Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador

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