Um pouco de mim 3 - Coletânea de microtextos publicados inicialmente nas redes


Não sou bicho do mato (pelo menos ainda não), sou bicho da cidade, mas passada a juventude, cada dia que passa, mais queria ser bicho do campo, da mata, da floresta, simplesmente porque naturalmente sou animal, buscando construir mentalmente, alguma humanidade, que só é possível porque também natural, plenamente suportado e sustentado pelo animal que sou e que somos. Ser humano não é em si melhor que ser animal pois que ninguém é humano sem ser animal, e é a humanidade aquilo que nos distinguiria dos demais primos animais, mas nunca melhor por isso.

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Eu e muitos não precisamos acreditar na falácia de um deus, mas tanto eu, quanto mesmo você, precisamos de derivados da ciência, procuramos a ciência para muitas e muitas coisas. A ciência é verdade, ela se materializa interdisciplinarmente na própria natureza e em tecnologias nas mais diversas áreas do saber...
Variação pessoal de algo que li por aí...

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Consciência de que a ciência nada cria, nada inventa.
Consciência de que com ciência caminha-se para longe de qualquer doutrinação mesquinha.
Consciência de que para ser ciência requer-se apenas honestidade, estado crítico de ser e pensar, compromisso com o natural, curiosidade, liberdade de pensar e questionar, coragem para desconstruir crenças e verdades estabelecidas, e manter um estado coerente de dúvida, descobrir evidências e buscar desesperadamente refutações...
Consciência de que é a ciência apenas o conhecimento, apenas a busca do entendimento crítico, de um saber coerente com o que existe, buscando fugir da superficialidade dos fenômenos, vasculhando, esquadrinhando, caçando, descobrindo e modelando as engrenagens muitas vezes não intuitivas, a ciência que é apenas noção e percepção do que existe, deve manter-se lógica, racional, coerente, honesta e verdadeira, alinhada do que em verdade seja a realidade, do que já aqui está, do que é a própria natureza.
Consciência de que amar e respeitar a ciência é amar e respeitar a natureza, a realidade, o que é natural, o que existe, a própria vida, o social e o humano.

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"A carne é fraca?" Como? A carne não pensa, não decide, não raciocina. Quem faz tudo isso e muito mais, somos nós mesmos, é nossa mente, é nosso ser. Se somos fracos, a culpa não é da carne, é do fraco ser somos. Mesmo que hipoteticamente tentássemos identificar a carne como o corpo, como se existisse algo além e superior ao corpo, que fosse origem e fonte de "beleza", força, humanidade, dignidade e moral, é de novo mais uma falácia, somos mente e corpo conjugados, não existe dualidade alguma em separado, somos o corpo que nos sustenta e que dá suporte a mente e somos a mente, aquilo que emerge "funcionalmente" do complexo processamento de nosso cérebro... 

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Enquanto houver vontade de lutar haverá probabilidade de vencer.
Pequena variação de um texto que chegou a mim como sendo de Santo Agostinho (não se foquem no autor, pensem na assertiva), que originalmente era "Enquanto houver vontade de lutar haverá esperança de vencer.". Como tenho restrições a esperança, sou, ou tento ser, um desesperançoso, apliquei pequena transformação ao texto original.

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Eu não posso odiar deus algum. Não creio que seu deus seja mentiroso, um fraco ou desumano. Isto simplesmente porque não acredito na existência de deus algum. Impossível odiar o que não existe, ou crer na fraqueza de algo meramente imaginário para mim. Muito diferente de não acreditar no que disse ou revelou seu ou qualquer deus, eu simplesmente não creio que ele exista.

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Você pode ignorar muitas coisas, mas ignorar que seus atos, seus comportamentos, e sua energia de vida, podem ajudar a fazer diferença, para o bem ou para o mal, é muito descaso com a responsabilidade social, ou mesmo pessoal.

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É fácil criar um inimigo, difícil é construir uma amizade, em especial quando as crenças e descrenças são diferentes....

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Errar é humano, todos cometemos erros, mas havemos de convir que alguns erros são vergonhosamente desumanos, e piores são aqueles baseados em falsas verdades, em fanatismos ou fundamentalismos, baseados na cegueira domesticada e doutrinada, pois que o repetimos, o sustentamos e o reforçamos, posto que acreditamos estar fazendo o certo. Errar é humano, mas como existe desumanidade má intencionada, e o que é muito triste, como existe desumanidade, falsamente bem-intencionada, ou bem-intencionada baseada em preconceitos e falsas verdades e doutrinamentos vis....

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Desesperança nada tem a ver com desespero, crer nada tem a ver com saber, desejar nada tem a ver com verdade. Eu sou um desesperançoso pois que em verdade eu sei que a crença na esperança é uma porta para o sofrimento. Esperar é necessário, a desesperança é o caminho. Todos cremos em coisas, mas só o cremos porque o não sabemos. Todos desejamos coisas, mas a realidade em si não tem nenhum "interesse" no que podemos ou não desejar. 

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Porque muitas pessoas adoram se achar o centro do universo? Porque muitas pessoas sinceramente creem que o universo existe para elas? Porque a necessidade de algumas pessoas de se acharem mais importantes que a natureza? Porque algumas pessoas sinceramente se veem acima dos animais, e muito acima dos demais reinos? Porque eu honesta e sinceramente não consigo sentir, ver, crer ou aceitar nada disto? Talvez porque eu tenha alguma baixa estima, porque não tenha a inteligência destes tantos, ou talvez porque apenas me veja como um animal, importante enquanto vivo, mas talvez me veja apenas como um ser natural.

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Foi o longo tempo que dediquei a alguma coisa que fez aquilo importante para mim, ou foi porque eu achava aquela coisa, de alguma forma importante, que me levou a naturalmente investir tanto do meu tempo com ela? Sinceramente, acho que os dois, de forma cíclica e contínua se reforçam mutuamente. Um ciclo de feedback continuamente alimenta e dá corpo um ao outro. Por isto se você valoriza positivamente algo, ou realmente gosta de alguém, invista seu tempo e esforço neles, ao final você não mais saberá a causa, mas estará adorando investir tempo, suor e esforço neles.

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A raiva apesar de ser algo natural, é por si só deveras ruim, perigosa, assustadora e desumana, pode até ser rápida, mas seu poder de estrago pode ser tal que deixe sequelas para todo o sempre, não somente na vida de quem a sente, mas nas vidas de outros, agora imagina só aqueles que remoem, fermentam, alimentam, e inflamam alguma raiva por muito tempo, alguns até por uma vida toda, que infelicidade para quem não consegue superá-la...

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Porque algumas pessoas se gastam e se esforçam em tentar tirar direitos e liberdades dos outros, quando aqueles direitos e liberdades em nada afetam aquelas pessoas, em nada afetam a dignidades social, humana e natural? 
(Variação de algo que eu li e que volta e meia retorna a minha mente)

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Desculpa a todos que não se vejam parte desta situação, mas é algo que preciso falar, e por favor não é direta ou indireta a ninguém especificamente, mas entendo que no geral, é indireta para a maioria absoluta de nós. Já faz muito tempo que em uma conversa, defendia a questão de que a maioria absoluta de nós perdeu a noção sincera do que é uma vida em sociedade, e que já havíamos dobrado a esquina de uma sociedade não social a muito tempo. Entendo eu que quando para manter uma sociedade, qualquer ela, torna-se mais que necessário, torna-se razão máxima, a criação de um estado policialesco, de militarização, de repressão, de opressão e do uso quase que único da força, acabamos por demonstrar, sem que cada um ou a maioria de nós perceba que decretamos a falência humana e natural desta mesma sociedade. Ao longo de muitos anos, e sem querer cair no vazio, vem desde a forma de nossa colonização, não como povo e sim como mero local de extração, enriquecimento, e de exploração. Assim, ao longo do tempo, cada um, mais exatamente não todos, mas a maioria absoluta, em geral nunca olhou para a sociedade local, como algo humano e social, e meramente como forma de como conseguir, parte sobreviver, e parte enriquecer. Desta forma, de forma imperceptível por cada um de nós, fomos perdendo a sensibilidade do que seja construir uma sociedade realmente humana, natural, social, e que respeitasse as necessidades humanas e da natureza, e que defendesse as liberdades individuais. Uns por mera perda da sensibilidade, outros por interesses diversos, outros mais por mera omissão, outros ainda por cegueira e domesticação catequisada e fermentada pelos poderes, entre eles o econômico e o religioso, que de mãos dadas sempre moveram os demais, o poder político, e mais recentemente o poder da mídia, acabamos achando normal e natural que o grau de exclusão, e aqui não unicamente econômico, mas humano, cultural, educacional, social fossem continuamente vilipendiados e desprezados, levando a uma parcela enorme da população a ser mantida quieta e sem poder, pelo sufoco da repressão, da força, e da domesticação religiosa e midiática. Vulneráveis e sem capacidade de articulação, amansados pelo doutrinamento religioso e midiático, esta parcela da população se viu ao longo do tempo andando perdida e apenas sobrevivendo, como podem, segundo os interesses e necessidades da outra parcela da população a que se locupleta direta ou indiretamente com o estado atual da sociedade. O que a maioria da população não se dá conta, é que este estado mantido por dormência mental para aceitar o que é, e pela força policial, militar, da repressão, nos faz estar sobre, ou dentro, de uma panela de pressão continuamente prestes a explodir. E não é porque aquela parcela excluída, abusada, oprimida, explorada, largada dos mínimos direitos dignos e sociais sejam más, não são. São em sua maioria seres humanos bons, sofridos, que apenas estão sem perceber, sendo mantidos domesticados pela força e pela doutrinação, mas que no fundo sofrem calados a tristeza, a dor de não se verem parcela ativa da sociedade, que olham para o asfalto como algo que não os quer, ou melhor que os quer apenas e tão somente para subempregos, e como mão de obra quase escrava. A situação no ES apenas mostra isso. Eu a muito tempo comentava que temia, em especial em cidades como o Rio e São Paulo, onde o nível de excluídos, de repressão pela força e pela doutrinação, e de explorados é grande, que bastaria algum evento localizado, que como um rastilho de pólvora, faria eclodir naqueles que calados fermentaram algum grau de revolta contra esta sociedade que nada ou quase nada por eles se dispôs a fazer ou lutar, para que explodissem, e em uma reação em cadeia, como a fissão nuclear em uma reação atômica, levasse a uma fissão humana em plena revolta social, e de novo, não porque sejam eles ou nós más pessoas, desumanos ou odiosos, mas porque o fermento natural para uma revolta destes excluídos vem crescendo, e acabamos por fingir que não é nossa culpa, que nada podemos fazer, e que se o tentássemos poderíamos estar pondo em risco o que conseguimos, afinal “tudo o que conseguimos” foi apenas por “mérito” próprio e nunca apoiamos o atual estado insocial de nossa sociedade.

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O conhecimento pode te ajudar a duvidar, mas a idolatria do conhecimento pode te levar a falsa ideia de que já sabes tudo, que não é necessário mais duvidar. A dúvida séria, honesta, sensível, equilibrada e não dogmática é sempre bem-vinda. Com ou sem conhecimento, duvide, tenha dúvidas, sejas cético. Se tens algum conhecimento, use a dúvida para buscar maior robustez e profundidade do que acreditas que já sabes, lembre-se que pode ser um "falso conhecimento", ou um conhecimento não sustentado ou suportado em evidências e profunda realidade, pode ser apenas um conhecimento da superficialidade dos fenômenos, ou da inverdade catequizada, doutrinada, induzida, ou fomentada por interesses de quem detêm algum poder. Se você não tem conhecimento sobre o assunto, duvide mais ainda, pois a dúvida te levará a questionar, refletir, estudar, buscar e assim você inicia sua caminhada a um constante e multidisciplinar acumular de conhecimentos, mas continue sempre curioso e com dúvidas, eles sempre fazem bem...

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Entendo que o otimismo ajuda a bem viver, faz bem, e dá alguma força a nossa mente, mas por favor, sem abrir mão da realidade. Otimismo descolado da realidade, do possível, e do natural é para mim algo como certa alienação. Ser otimista, sim. Ser realista, o mais que possível. Ser um alienado, iludido ou perdido mentalmente, o menos que nos for possível...




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Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador

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