Afinal de contas, o que é ser um ateu?

Até hoje, apesar de farta informação, é verdade que muitas falácias ainda se falam sobre ateus e o que seja ser um ateu. Alguns ainda me perguntam: Você é totalmente ateu? Como você pode ser ateu? E por aí vai.

Apenas para iniciar, e sem nenhuma intenção de abranger completamente o assunto, gostaria de lembrar o que é um ateu. Em sua forma mais restritiva o ateísmo é como o nome mostra a negação do teísmo, a negação da existência de um deus teísta. Existem na literatura, e na forma como cada um percebe e constrói seu deus, variações. Não vou entrar nestas definições, mas são todas elas facilmente encontradas na rede, para quem possui alguma dúvida no que sejam. Baseado naquela construção da imagem ou da representação do “seu” deus, temos algumas formas diferentes de posicionar aquele deus, o teísmo, o deísmo, o panteísmo, o politeísmo e outras, e em sua forma mais restritiva, o ateísmo nega assertivamente a existência do deus teísta, que é claramente representado pela visão das religiões de origem abraâmicas, um deus que age... Em sua visão mais ampla e livre, ser ateu seria negar a existência (e aqui é importante ter isto em mente, o ateu não é contra deus, ou não nega as virtudes deste pretenso ou de qualquer outro tipo de deus, o ateu nega a existência de um deus) de alguma deidade, e só isso. Ser ateu não é uma filosofia de vida, uma relação de valores, é pura e simplesmente aquele que nega a existência de deidades. É claro que como pessoa, como ser humano e social, os ateus possuem suas filosofias de vida, suas formas de ver, perceber e se relacionar com o mundo e com as pessoas, mas isto é pessoal e não deriva do fato de serem ateus. É coerente imaginar que a não crença em deidades é uma parte desta forma de lidar com a realidade. Eu costumo dizer que diferentemente do que alguns pensam, não é o fato de ser ateu que direcionou minha forma de lidar com o mundo, com a realidade, com a sociedade e cada pessoa individualmente, no meu caso em específico, meu caminhar para o ateísmo foi exatamente ao contrário. Conforme moldava e me percebia como ente humano, natural e social, conforme construía minha filosofia de vida, conforme entendia o mundo e a realidade que dele emana, fui construindo uma filosofia e uma ideologia de viver naturalmente pessoal, que mistura fortemente vertentes de realismo, do naturalismo, do, materialismo filosófico, entre outras, e compondo esta forma de ver e apreender o mundo natural, temperos de humanismo secular (não o humanismo que coloca o homem acima de tudo ou melhor do que tudo, não do humanismo que praticamente vê o homem como “super homem”), de ceticismo, e de racionalismo (também entre outros) completam e moldam o como me relaciono comigo mesmo e com o universo que me dá suporte natural a existir. Já comentei várias vezes, tenho certa dificuldade em aceitar ou acreditar em quem se diga cem por cento aderente e coerente com uma única linha filosófica. Para alguns, já deve estar claro que desta caminhada, desta construção, desta adequação, sobrou-me naturalmente a única possibilidade de ser ateu, mas de novo ser ateu não molda diretamente minha filosofia, e sim o contrário, minha filosofia de viver molda meu ateísmo. E sem parecer ser redundante, em resposta aquelas muitas perguntas repetidas, se sou totalmente ateu, um ateu sempre é totalmente ateu, pois que ser ateu é simplesmente negar a existência de deidades, e no seu escopo mais restrito negar a existência do deus do tipo cristão, sendo em sua forma mais livre e aberta negar a existência de todo e qualquer tipo de deidade. Um ateu, como qualquer outra pessoa pode ser bom ou mau, pode ser afetivo, emocional, racional ou frio, pode ser culto ou inculto, pode ser inteligente ou mais limitado intelectualmente, pode ser caridoso, humilde, vaidoso ou prepotente. Não é o ateísmo que molda sua filosofia de vida, ele, como cada um, é um ente pensante único, e está sujeito como qualquer outra pessoa, a ser tudo e qualquer coisa, a ser múltiplo e complexo, uma única coisa é que ele não crendo na existência de deuses, não se prende a religiões, e assim não está sujeito as mazelas que vem junto com as coisas boas de cada religião, ele bem sabe que tudo de bom que uma religião possa apresentar ou fazer, é totalmente possível de ser feito ou construído fora da religião, sem o risco da contaminação pelos vícios e doutrinações que toda religião traz. 

Desta forma, outras perguntas que muito me fazem, como: Como posso ser ateu? Como é possível ser bom sendo ateu? Como justificar tudo, e dentro disso o amor, sendo ateu? Entre muitas outras, não é respondida no âmbito do ser ateu, e sim no âmbito da filosofia de vida que construí. Outras assertivas como: todo ateu é inteligente, ou todo ateu odeia deus, ou o ateu odeia religiosos, ou mesmo o ateu ama apenas os bens materiais, são puras falácias, traiçoeiramente construídas por perniciosos religiosos, construídas para denegrir a imagem dos ateus, e para justificar e doutrinar a aceitação, mesmo que a força, dos “ensinamentos, revelações, e catequeses” destas mesmas religiões. Sou ateu, nego categoricamente a existência, ou mesmo a necessidade da existência de qualquer deidade para nossa existência, mas o que sou, o que realizo como ser humano e social, como ente natural, é parte de minha construção como ente pensante, crítico, que constrói continuamente sua relação com o universo (talvez mesmo com os universos) como um todo, segundo filosofias de vida que vou naturalmente revendo e aprimorando.

Deve ficar patente que sendo eu apenas um, não posso e nem tenho como afirmar que esta minha visão reflita a de todos, e nem, em momento algum, defendo a falaciosa hipótese de que seja eu dono de verdade alguma, mas tenho plena certeza de que esta é a forma como percebo o assunto, agora, neste instante, já não podendo ser exatamente igual quando do momento de sua leitura, mas não o faço de forma leviana ou sem respeito, o que sou é parte de uma construção honesta e séria de minha parte, para comigo mesmo e para com o mundo natural e tudo dentro dele, é enfim  como me insiro na realidade vivente, e como realizo minha existência. A cada um é dado o direito de pensar, criticar, analisar, refutar ou corroborar, e que bom se este texto pelo menos serviu para provocar algum pensamento crítico a respeito deste assunto.



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Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador

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