Consciência, ingenuidade de interpretação ou intencionalidade de confusão

Uma palavra, um termo, mas não somente um único sentido, e talvez mesmo sequer um único conceito, uma única emergência mental ou uma única e mesma sensação e percepção. Será somente falha de interpretação? Incompletude de definição? Ingenuidade de percepção? Desconhecimento? Ou será intencionalidade de confusão? 

Alguns dirão no domínio aparente de alguma tranquilidade, outros do alto de sua prepotência, uns de forma incisiva e outros de forma mais delicada, que sabem claramente o que é a consciência, que conhecem bem a existência dela, e que não conseguem entender como possa existir dúvidas ou incompreensões neste tocante, que talvez apenas os insensíveis ou ignorantes possuam dúvidas ou acham arredio o conceito da consciência, do estado consciente de ser. Entretanto, é bastante, provocar estes “conhecedores”, solicitando que definam a consciência e como ela opera ou pode operar funcional e estruturalmente para que logo tornem-se fugidias e confusas as palavras de defesa para a resposta. Consciência, estudada de forma científica, metodológica e experimentalmente, é ainda algo muito recente na história temporal de nossa ciência natural, com certeza um dos últimos redutos a ingressar seriamente em nosso estudo científico, e desta forma, talvez, ainda faltem palavras para diferenciar escopos diferentes de consciência e sua operacional funcionalidade mental e cerebral. Os conceitos de consciência, como os de amor e da vida, nos parecem simples, mas esta simplicidade decorre de nossa ingenuidade e mesmo de nossa parcial ignorância nestes assuntos. Todos vivemos, todos, ou praticamente todos, acreditamos já ter amado, e por fim, todos (ou pelo menos todos de uma mínima saúde mental) realizamos diariamente a consciência, entretanto, tentar defini-los claramente e explicar sua operacionalidade é algo deveras complexo, praticamente impossível, se realmente provocarmos ao nosso limite nossas próprias definições. Entendo que isto se dê, principalmente, porque acredito eu, não são eles conceitos binários diretos, elementares, do tipo ligado e desligado, vivo ou morto, amar ou odiar, consciente ou inconsciente. Apenas como breve comentário, sem vida não é exatamente morto biológico, sem amor não é exatamente ódio, e neste caso em especial, não consigo ver o ódio como oposição direta ao amor, para mim, a ausência de amor, o desamor, não é, e nem leva necessária e diretamente ao ódio. Aumentando a complexidade, agravando ainda mais o fato da não dualidade direta e simples destes conceitos, surge para mim, algo mais desconcertante a primeira vista, são eles, os três, termos únicos, para fatos, para realizações, para experiências reais diversas. Amar um filho é nitidamente diferente de amar um(a) parceiro(a), amar um estranho, amar um doente, amar uma amizade, um conhecimento e por aí vai. Quanto ao viver, existe a vida biológica, existe ainda a vida mental (que emerge da vida biológica) mas de característica bem distinta, é a vida do ser que cada um de nós é, a vida subjetiva da qual emerge, ou pode emergir, o eu que somos. Um exemplar vivo pode perder a vida de seu ser, a expressão de quem ele é, do ente que o faz ser quem é, temporária ou definitivamente, e a sua vida biológica pode estar operando dentro de parâmetros que a permite se manter sustentável. Exatamente algo assim, pode ser extensível para a consciência, onde, apenas como exemplo, a consciência em oposição bruta e direta ao inconsciente, aqui em especial, o consciente do estar “acordado” em oposição a não consciência do estar dormindo, desmaiado, do estar sob efeito de anestesia geral, ou em coma, é bem diferente do conceito do domínio consciente de si que sustentaria o livre arbítrio, e que leva a consciência do ser consciente, a autoconsciência. De novo, faltam palavras, faltam definições, desconheço eu estas palavras ou conceitos, ou realmente o que parece fácil, simples de entender, direto de definir e explicar, é na verdade complexo e caótico? A consciência é com certeza um destes termos, destes conceitos, ou teremos que mudar a definição para algo que não é o que imaginamos sentir, e por atração teremos que mudar o conceito e a definição do livre arbítrio (o que eu sinceramente tendo a concordar e me adequar). É comum confundir a consciência em oposição ao inconsciente de estar “apagado” (dormindo, desmaiado, anestesiado, coma e etc.), com o consciente em oposição a se achar no domínio de um pensamento, uma ação, ou mesmo o consciente da autoconsciência, de que se existe enquanto ser, que se é pleno de si. Em um caso extremo pode ser que consciência, como ingenuamente a pensamos sentir e existir, na verdade não exista, que esta consciência seja determinista por algo que acontece “antes e durante” a sensação da consciência, que opera no subsolo do inconsciente, e que a nossa tão endeusada consciência, como o livre arbítrio, sejam tão somente avisos e/ou notícias tornadas públicas para nós mesmos, para dar sentido histórico e de importância para a nossa consciência, para nosso próprio engano, posto em prática por complexas funcionalidades inconscientes do cérebro, bem como da sua emergência, a mente.




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Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador.

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