Estado corrupto versus um mercado virtuoso, será?

Estado corrupto em um mercado virtuoso? Como? Onde? Sob que critérios? Que maravilhosa dualidade para os interesses perniciosos de muitos. Que dualidade, em sua simplicidade falaciosa, mas que tem a força de atender claramente o alcance distorcido que dela se extrai. É inequívoco que a corrupção, em diversos níveis do ambiente, seja ele federal, estadual ou municipal, em diversos e diferentes escopos, acaba sendo uma verdade podre que se escancara e se manifesta cada vez mais, quanto mais se escava nesta busca. Sendo a corrupção um fato, não pode ser confundida como apenas uma representação suja de seu efeito no estado, ela é muito mais enraizada, muito mais profunda e muito mais democrática (me perdoem o termo), mas ela age, atua, afeta e se perpetua praticamente em todas as áreas da sociedade, desde pequenas corrupções, que muitos fazem naturalmente vistas grossas, ou mesmo aceitam, porque são coniventes ou mesmo, muitas vezes, agentes ativos ou passivos dela. De início não podemos perder de vista que a corrupção é em grande parte movimentada por “agentes livres”, daquele mesmo mercado definido como virtuoso, na assertiva inicial. Segundo, tendemos a fingir que não vemos ou não sabemos, da corrupção ativa e passiva, que ocorre diretamente entre agentes privados deste mesmo mercado virtuoso, onde um agente privado "A" age corruptamente com o agente privado "B", de diversas formas, seja em superfaturamento, seja em baixa qualidade de insumos, matérias primas, ou mesmo em projetos distorcidos ou viciados, em divisão do mercado, em exploração de mão de obra, e por aí vai. Ah! Já prevejo alguns gritando, “...mas não é com o dinheiro público?”. Como podemos ser tão míopes. Pode não ser com o dinheiro público, diretamente recolhido ou gerenciado pelo estado, mas além de poder afetar o próprio estado por não recolhimento, afeta diretamente toda a população, a sociedade, e de novo acaba afetando em muitos casos aquele tal dinheiro público, pois o estado existe para a população, ou será que não?

Devemos ter sempre em mente que não existe almoço gratuito, alguém paga, e acaba sendo a população que vive naquele mercado dito virtuoso. Se o agente privado "A" superfatura corruptamente a compra e venda de equipamentos do agente privado "B", por exemplo, para o “embolso corrupto” de parte deste superfaturamento, as vezes por ambos os agentes privados, ou mesmo se compra por um preço “normal”, insumos, equipamentos, peças, ou matéria prima e serviços, de baixa qualidade, para da mesma forma repartir o “lucro” desta empreitada, é claro, é evidente, e mais do que esperado, que esta falcatrua se reflita diretamente no custo e no preço de bens e serviços, e/ou também na “qualidade” destes mesmos bens e serviços, além de na durabilidade daquilo entregue ao consumidor final, como resultado da engenharia de negócios, muitas vezes sujas, daquele mercado virtuoso. Vivemos em uma sociedade de mercado virtuoso onde os preços dos bens e serviços estão entre uns dos maiores do mundo, onde a qualidade e durabilidade final é sempre duvidosa, com serviços, muitas vezes, apesar de preços elevados, de péssima qualidade, e isto, não somente por culpa dos impostos ou do custo oficial e legal Brasil, mas também diretamente afetado pela ganância, pela corrupção direta e indireta entre agentes privados, e o descaso muitas vezes com o cliente final...

A corrupção privada não está somente na compra e venda de produtos e serviços entre aqueles agentes privados, naquele mercado virtuoso, mas aparece, de forma as vezes mais ou menos clara, na divisão de mercado, no dump intencional de certos grupos para eliminar novos possíveis concorrentes, na criação de trusts, carteis, máfias e etc...

O mercado em si não é, e nem pode ser, definido como virtuoso. Generalizou-se o culturalismo de que a corrupção é um mal apenas do estado, ou no estado, ou com a participação do estado. Mas quantos mentem ou já mentiram nos valores de compra e venda de bens e serviços, registrando em recibos ou mesmo em contratos valores a mais ou a menos, dependendo do interesse de momento, Quantos sonegam ou já sonegaram, quantos mentem ou já mentiram na elaboração de seu IR, quantos comerciantes possuem caixas não oficiais, ou vendem sem nota fiscal ou com valores adulterados, quantos postos de gasolina comercializam combustível “batizado” ou vendem quantidades a menos do que o cliente paga, quantos fazem ou já fizeram uso de “gatos” em corrente elétrica, água, internet ou tvs a cabo. Quantos modificam relógios ou medidores, ou para pagarem menos (consumidores) ou para pagarem mais, como relógios de táxis, bombas de combustível, quantos fazem ou já fizeram contrabando ou simplesmente importação ilegal, ou mesmo apenas compram produtos importados não registrados oficialmente. Quantos já compraram produtos de origem duvidosa... São tantas as formas de corrupção direta ou indireta, ativas ou passivas, entre agentes privados, ou entre pessoas físicas e agentes privados, ou mesmo entre pessoas físicas apenas, mas apenas focamos a corrupção como um mal do estado. Por favor, não deturpem meu pensamento, é claro que sou contra a corrupção do, e no, estado, como sou contra toda e qualquer ação corrupta ou corruptível, tenho aversão e corruptos e de corruptores, a lei deve ser forte e abrangente sobre a corrupção e seus agentes, privados e/ou públicos, passivos ou ativos, analisando-se caso a caso, é claro. Entendo que acabar com a corrupção, o que tem de necessário e de mandatório, tem também de difícil ou quase impossível, exatamente porque infelizmente ela é abrangente demais no estado e no mercado virtuoso. Infelizmente a corrupção age sorrateiramente no cerne e no inconsciente de muitos de nós, ela movimenta muitas vezes interesses pessoais, familiares, corporativos, setoriais e etc., muitas vezes sob a capa falaciosa da necessidade. Mas se não é possível acabar com ela, isso não pode significar que devamos aceitá-la. Não, nunca. Temos a obrigação moral, pessoal e humana, de lutar pelo seu fim, e de a tornarmos cada vez mais cara e arriscada, que a inviabilizaremos pelo seu custo e risco. Precisamos ser muito ingênuos, ou me perdoem o termo, alienados, se acreditamos, em sã consciência, que alguém, ou alguma empresa, investe, digo financia campanhas políticas de partidos ou de candidatos, muitas vezes investindo, digo financiando, correntes contrárias, concorrentes conflitantes, muitas vezes de linhas políticas, sociais e econômicas diferentes e divergentes, com volumes altíssimos de recursos, apenas e tão somente pelo bem e pela garantia da democracia, mais ainda, quando estas ou outras pessoas físicas ou jurídicas fazem uso do investimento, digo financiamento, não transparente, escondido e ilegal, no uso da figura do caixa 2. É fácil de imaginar o que está por baixo e por detrás desta prática.

Desta forma aquela assertiva só tem o interesse de quem, naquele mercado não virtuoso, deseja um estado cada vez mais combalido e fraco, onde fique cada vez mais fácil e tranquilo a prática da corrupção com o mesmo estado, ou cada vez mais apenas entre agentes privados, com a entrega cada vez maior do estado para o mercado. O estado corrupto é fruto de um mercado não menos corrupto. Infelizmente a corrupção possui tentáculos e abrangência muito maior que nossa vã filosofia possa imaginar, ou do que nossa ingênua leitura do que desejam que leiamos, possa parecer. Mas temos, pelo menos aos que ainda se veem realmente contra esta bandidagem, tanto no alto escalão, quanto no varejo, entre entes privados menores ou mesmo entre pessoas físicas, de cada vez mais lutar contra a corrupção, com leis cada vez mais severas, mais eficazes, necessitamos de mais transparência financeira no uso dos recursos e bens entre todos e qualquer um, não somente no estado, mas nas empresas e nas pessoas físicas, precisamos de ações assertivas  na elevação do risco envolvido, e no custo necessário para dar sustentação a corrupção. Precisamos lutar e continuar lutando contra ela, mas em todos os níveis, em todos os escopos, em todos os âmbitos.




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Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador.

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