O sofrimento mesmo que coletivo, é em si algo que machuca individualmente

O sofrimento é algo profundamente pessoal. É algo tão real para quem o sente, que nos faz pôr em dúvida o seu lado subjetivo de ser. Emoções e sentimentos se misturam, se materializam, se constroem, se transformam e se destroem, sem não antes nos destruir também, sem que deixe “sequelas” de transformações em nosso ser, pouco a pouco que seja, emergindo do nosso existir inconsciente, e que faz do sofrimento algo estarrecedor. Por mais que nos esforcemos ou tentemos entender o sofrimento dos outros, sua interpretação sempre estará plenamente contaminada de nós mesmos. Jamais seremos capazes de realmente saber o como e o quanto o sofrimento machuca, destrói, dói ou marca a vida de quem quer se seja, a menos da nossa própria. Muitas vezes sequer percebemos o sofrimento calado, maquiado e invisível de muitos. Jamais o saberemos. O sofrimento é algo intrinsecamente pessoal, algo contaminante, sim, mas jamais transferível. Como a alegria, ou a felicidade, a tristeza e o sofrimento também contaminam, mas continua sendo algo pessoal a forma como o sentimos, como o realizamos, como nos marcamos com ele, para o bem ou para o mal. O sofrimento muitas vezes é coletivo, mas dentro do escopo social que ele possa estar destruindo, sempre será o lado humano, o estado individual de ser que o sente e o realiza. Mesmo que o sofrimento, dependendo do grau e da forma como com ele nos relacionamos, possa em alguns casos servir de potencial para nos pôr em movimento para algum caminhar, para o bem ou para o mal, para um crescimento ou para a destruição, ele jamais deixara de deixar marcas no ser de quem o viveu. A revolta pelo sofrimento age diferentemente em quem sente a dor real do sofrimento, do que aquela revolta de quem sofre pelo sofrimento dos outros. Mas infelizmente a insensibilidade, a valorização da individualidade impessoal, leva a estados de ser algo alienado, onde nestes, nem a revolta pelo sofrer dos outros consegue fazer mínima morada. Não existe norma, regra, manual ou qualquer outra padronização para o sofrimento, cada um o sente de forma diferenciada, tanto em valor, quanto em características, tanto em potência quanto em qualidades, tanto em gatilhos quanto em reflexos finais. A alienação não é uma boa alternativa ao sofrimento, e nem, por favor, venham me falar em sábios hipotéticos, teóricos, ideais, que aprenderam a sublimar, a não sentir ou realizar o sofrimento, eles não existem como sábios, e se existissem, não seriam paradigma algum de humanidade para mim. O sofrimento é real, e tem de ser trabalhado como gatilho positivo para uma reconstrução, uma reforma, uma transformação que ajude não só aquele que sofre, mas devemos fazer uso social, pelo bem social, do trabalho pelo fim do sofrimento possível, pela construção de uma revolta humana que ponha em marcha mudanças do que seja possível mudar pelo fim do sofrimento passível de ser evitado. Nem todo sofrimento é evitável, alguns são totalmente inerentes ao próprio ato de viver, como a perda de um filho, de um ente amado, de alguém que nos seja importante, um cataclismo qualquer, e por aí vai... 

O sofrimento mesmo que coletivo, é em si, sempre, algo que machuca individualmente




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Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador.

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