A subjetividade da consciência

Como ser plenamente, se em essência sequer sabemos o que podemos ser? Como realizar todo potencial humano e social que nos envolve e abraça intima e subjetivamente quando particularmente, no íntimo do que somos, o subjetivo de nossa cegueira inconsciente é muito maior do que gostaríamos de aceitar como verdade. Não obstante todo desconhecimento consciente de enorme parte do que processamos mentalmente, cabe-nos viver. É necessário que consigamos nos colocar em movimento, e que a revelia do que não saibamos, busquemos construir nossa humanidade, e em paralelo, sejamos capazes, mais do que entender, sejamos ousados na concretização, dentro de nosso potencial humano, de nosso ente social.

Somos sombra enevoada que nos corta o ente. Subjetivamente somos reais, somos parte real da não menos real realidade do todo. Nossa existência é um fato. Somos uma ambiguidade complexa contrapondo a subjetividade do ser que somos ante a plena característica real da existência do todo e de nós mesmos. Nosso ser emerge entre processos mentais desconhecidos, entre funcionalidades zumbis que para todo o sempre desconheceremos, mas em essência somos e podemos ser, como resultado da profundeza desconhecida do que somos construímos, um mosaico de parte de nós mesmos, que se completam na emergência do que somos, e continuamente nos transformamos na realidade do ser e na manifestação parcial do total inconsciente que nos governa.

Somos, existimos, somos tão reais como o todo universal, mas como entes somos a própria realidade subjetiva da indireta e mediada relação entre o inconsciente pleno e a referência real externa à mente, incluindo aí nosso corpo real, que acaba por permitir sermos, um ser pleno de nós mesmos, real em sua existência, e sem que nos esqueçamos, falível, imperfeito e mortal, contudo somos e sempre seremos muito mais inconscientes do que gostaríamos de admitir, muito mais até do estaríamos dispostos a aceitar, mas assim, felizmente ou infelizmente, somos nós, eternamente cambaleando entre aquela aparente consciência real do que somos e do quanto nos conhecemos a nós mesmos, e a insuperável, insuspeitável e muitas vezes pouco intuitiva realidade de nossa inconsciência, que no segredo introspectivo das profundezas mentais, como um zumbi impenetrável, nos governa.

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