Por derradeiro o nada

Por derradeiro ao ser humano, o nada existencial. Não o nada físico, material, posto que a matéria, em essência e naturalmente, persiste. Alguém já disse: Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma. Mesmo ela, tem seu fim, como objeto, registrado em sua identidade, desde o seu surgimento, pois o decaimento natural é fato a tudo, ao todo material, mas sua história de vida, aos nossos olhos, mostra-se infinita, não porque perdure para sempre, mas porque foge a nossa capacidade de percepção a duração temporal física do tempo médio de vida da existência material. 

Por derradeiro para mim, aos “eus” que me fazem ser quem sou, o mesmo fim natural a tudo imanente, aquele nada existencial, o mesmo nada que já fui por infindável tempo, agora, no instante em que me for, será o nada definitivamente eterno.

Por derradeiro a vida, não obstante sua tremenda força de perseverar em existência contínua, como essência biológica, movida e sustentada por uma simples, mas poderosa estrutura evolutiva, que brilha como triunfo natural da biologia, que surge não menos naturalmente da química e da física, e promove assim um passo fantástico na jornada natural ao cérebro, a mente, e ao humano, mas mesmo assim, tem a vida, aqui vista não só individualmente, em cada ente vivo, mas também coletivamente, seu fim natural como destino último. 

Somos fatais, a vida é fatal, a matéria também o é, em outro sentido, mas o nada absoluto neste universo existencial é o ponto final, em um tempo infinito, a tudo que aqui há, até quem sabe uma nova transformação de fase, que possa dar início a um novo ciclo existencial, mas com total incerteza, de sua ocorrência, bem como do que poderá ditar a nova física nesta nova fase transformada.

Isto nos deveria frustrar? Deveríamos nos curvar ao sofrimento existencial por isto? Claro que não. Absolutamente não. Definitivamente não. Isto deve, ao contrário, nos dar maior felicidade de aqui podermos estar, de aqui podermos existir, de aqui podermos ser, e de respeitar e amar, o próprio aqui, o natural, a natureza, o imanente que nos possibilita experimentar, temporariamente que seja, a rara, a raríssima percepção do que seja poder ser, do que seja poder existir. Não precisamos de mitos, a existência por si só é tão maravilhosa, tão bela, que nos deve bastar para amarmos viver, para amarmos a essência da vida, não só a nossa ou a dos nossos, mas a de todos os seres vivos, e nos levar a ter profundo respeito, cuidado e comprometimento com o todo natural, incluído ai é lógico, a vida, a humanidade e o social.

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